No que depender da Prefeitura do Recife, os taxistas que se dizem vítimas do esquema de venda de concessões de táxis clonadas vão esperar para ter suas permissões de volta ou serem ressarcidos do prejuízo. Ontem, o secretário de Serviços Públicos do Recife, Amaro João, a quem a CTTU está subordinada, reconheceu que houve irregularidades na transferência de diversas praças, mas que ao município cabe apenas a responsabilidade administrativa. A imputação da culpa pelo prejuízo será papel da polícia.
Caso não consigam decisão favorável na Justiça, os motoristas terão que aguardar a investigação criminal para receber o dinheiro investido na compra das praças. “Estamos agindo dentro da nossa responsabilidade e limitações. Apuramos a denúncia administrativamente e não podemos culpar ninguém. Cancelamos as 12 primeiras transferências porque elas estão comprovadamente irregulares. Sabemos que os taxistas que compraram as concessões em 2005 e afirmam terem sido enganados foram prejudicados, mas se não fossem eles, estaríamos lesando os antigos proprietários porque não podem existir dois veículos com a mesma praça”, argumentou Amaro João.
Ao lado do assessor jurídico da CTTU, Antônio Pajeú, o secretário explicou que o órgão agiu assim que tomou conhecimento da primeira denúncia. “Soubemos do que estava acontecendo pelo proprietário de uma das concessões vendidas indevidamente e, de imediato, exoneramos o chefe do departamento de táxi e transporte especial porque foi ele quem assinou as transferências irregulares. Em seguida, instauramos uma comissão de sindicância, que vem trabalhando desde julho do ano passado, quando tudo começou. Foram ouvidos os antigos e os novos motoristas que têm a mesma permissão, além de funcionários e ex-funcionários da CTTU e do Detran. Essa comissão ficará responsável por investigar todas as transferências feitas até hoje, já que sabemos que deve haver muito mais coisa”, disse Amaro João.
O secretário argumentou que a CTTU não pode ser responsabilizada pelas irregularidades. “Sabemos que o órgão deveria ter conhecimento se uma permissão pode ou não ser transferida. Mas houve uso de documentos falsos e os motoristas, tanto os antigos como os atuais, foram vítimas da má-fé de alguns. O órgão não pode criar novas permissões nem ressarcir o prejuízo financeiro.”


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