quarta-feira, 18 de junho de 2008

Recife possui 39 pontos de alagamentos

A cada inverno, o cenário é o mesmo. Os dramas e alagamentos se repetem. Para qualquer recifense conhecedor da cidade, é possível indicar, sem sair de casa, os locais que ficam repletos de água. A capital tem hoje 39 pontos de alagamentos considerados críticos, segundo levantamento da prefeitura. São lugares que enfrentaram, por anos e anos, a conseqüência da falta de infra-estrutura do sistema de drenagem.

Ruas e avenidas que se transformam em mar porque a água não tem para onde escoar. Quando existe drenagem, na maioria dos casos, as canaletas estão obstruídas. Pontos que até sofreram algum tipo de intervenção por parte do município, mas sem resultados positivos diante de precipitações pluviométricas intensas.

Exemplos não faltam na cidade. A Avenida Caxangá, na Zona Oeste, sob o viaduto da BR-101, tem problemas há mais de 20 anos. Com a chuva de anteontem, o local virou um mar, obrigando os carros a trafegar na faixa exclusiva de ônibus, também alagada. O vendedor Carlos Silva, 49, contabiliza prejuízos quando chove há pelo menos 11 anos. “Nunca foi feito nada por aqui. No máximo, desobstruem algumas canaletas e vão embora”, afirma.

Outro ponto histórico de alagamentos, o bairro de Jardim São Paulo, nas imediações da Avenida Recife, ficou tão alagado, anteontem, que para sair do bairro os motoristas trafegaram na contramão.

A intensa chuva de segunda-feira mostrou que os alagamentos da cidade são os mesmos de sempre e que as poucas intervenções feitas até agora não conseguiram resolver antigos problemas.

A Rua Conselheiro Portela, no Espinheiro, Zona Norte do Recife, é um exemplo. No ano passado, a prefeitura construiu um minirreservatório na Rua Santo Elias, transversal da Conselheiro Portela, mas não acabou com os alagamentos na área. “Criamos expectativa quando as obras foram concluídas, só que foi em vão. Com qualquer chuva tudo alaga do mesmo jeito e, no meu caso, o faturamento é zero. A única diferença é que agora a água escoa mais rápido”, critica Rafael Gomes, gerente de um posto instalado na esquina das duas vias.

O assessor executivo da Secretaria de Serviços Públicos do Recife, Antônio Valdo, afirma que o município investiu quase R$ 25 milhões em obras estruturadoras do sistema de drenagem, mas pondera que essas intervenções nunca serão suficientes conforme a intensidade das chuvas. “As precipitações de segunda-feira, assim como as do dia 31 de março, foram atípicas. E a eficiência de um sistema de drenagem está diretamente ligada à capacidade do curso da água”, explica.

Além dos transtornos, os alagamentos provocam o desgaste precoce do pavimento das ruas e avenidas, aumentando os buracos. Na Avenida Norte, em Santo Amaro, área central do Recife, uma seqüência de crateras tem assustado motoristas e provocado estragos nos veículos. A via encontra-se em obras, mas segundo moradores da área, há uma semana os buracos surgiram e, a cada chuva, aumentam mais.

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/06/18/not_286721.php

Nenhum comentário: