sexta-feira, 20 de junho de 2008

Motorista de ônibus faz greve de um dia

Após exaustiva negociação entre os Sindicatos das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Setrans) e dos Trabalhadores Rodoviários, realizada ontem à tarde no Ministério do Trabalho, no Espinheiro, Zona Norte do Recife, motoristas de ônibus, cobradores, fiscais de linha e mecânicos de coletivos resolveram cruzar os braços por 24 horas. Da 0h de hoje até a 0h de amanhã, não haverá circulação de ônibus na Região Metropolitana do Recife (RMR).

A categoria reivindica reajuste salarial de 12,8%, mas os donos de empresas ofereceram apenas 4%, divididos em duas vezes. A paralisação de advertência deve prejudicar aproximadamente 1,7 milhão de usuários que circulam todos os dias em coletivos do Grande Recife. Os motoristas informaram que os trabalhadores que furarem o movimento serão retirados à força dos ônibus.

Uma nova reunião entre os dois sindicatos deve acontecer na próxima quarta-feira. Se não houver avanço nas negociações, os trabalhadores prometem parar por tempo indeterminado.

Assim que decidiram pela greve de advertência, vários cobradores e motoristas de ônibus saíram em passeata, por volta das 18h40. Eles andaram pela Avenida Agamenon Magalhães até a Praça do Derby, rumaram para a Conde da Boa Vista até a Avenida Guararapes, onde o movimento foi dispersado. Houve grande congestionamento. ”Nosso movimento é pacífico. Estamos fazendo essa passeata para avisar à população e aos motoristas que não haverá ônibus na sexta-feira (hoje). Sabemos que isso ocasiona transtorno, mas não podemos ficar com esse reajuste irrisório”, disse Patrício Magalhães, presidente do Sindicato dos Rodoviários.

Durante a caminhada, o clima ficou tenso no cruzamento da Conde da Boa Vista com a Rua do Hospício. Um motorista de ônibus tentou dar a volta e gerou revolta dos manifestantes, que, por pouco, também não entraram em conflito com batedores da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU).

As opiniões de usuários que enfrentaram o congestionamento se dividiam, mas a maioria criticava o movimento. “Todos têm direito de reivindicar, mas eles precisam saber que vão prejudicar muita gente. Moro em Candeias (Jaboatão), trabalho no Espinheiro. Todos os dias, utilizo quatro coletivos. Meu patrão não vai querer saber que não tem ônibus, mas infelizmente não vou trabalhar”, reclamou a assistente administrativa Azenate Gomes. “Se não tiveram o aumento desejado, eles devem reivindicar mesmo. É bom que não vou trabalhar. Fico descansando”, disse uma auxiliar de enfermagem, que não quis ser identificada.

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/06/20/not_287044.php

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