sexta-feira, 20 de junho de 2008

Motoristas em greve tomam chaves de ônibus e furam pneus

Por volta das 10h30 desta sexta-feira (20), um grupo formado por 20 a 30 motoristas de ônibus, que estão em paralisação de 24 horas desde a 0h, causou tumulto na Avenida Cruz Cabugá, em Santo Amaro, na Zona Norte do Recife.

Alguns ônibus que trafegavam no sentido cidade-subúrbio foram parados pelos manifestantes, que invadiam os coletivos, tomavam as chaves dos condutores e furavam os pneus dianteiros. A pista ficou interrompida.

Na confusão, um dos passageiros reagiu, criando princípio de tumulto. Um tiro foi dado para o alto, mas ainda não se sabe quem o disparou. Durante a confusão, sete ônibus foram parados e três deles tiveram os pneus furados.

O 16º Batalhão da Polícia Militar foi ao local para controlar a confusão. Segundo a polícia, os manifestantes pareciam alcoolizados. Eles não foram detidos. Esse mesmo grupo de motoristas teria, ainda nesta manhã, realizado o mesmo tipo de manifestação na Rua Siqueira Campos, no Centro do Recife.

A paralisação, decidida nessa quinta à noite, está prevista para terminar à meia-noite e deixa sem transporte um contingente de quase 1,7 milhão de pessoas no Grande Recife.

http://jc.uol.com.br/2008/06/20/not_172020.php

Motorista de ônibus faz greve de um dia

Após exaustiva negociação entre os Sindicatos das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Setrans) e dos Trabalhadores Rodoviários, realizada ontem à tarde no Ministério do Trabalho, no Espinheiro, Zona Norte do Recife, motoristas de ônibus, cobradores, fiscais de linha e mecânicos de coletivos resolveram cruzar os braços por 24 horas. Da 0h de hoje até a 0h de amanhã, não haverá circulação de ônibus na Região Metropolitana do Recife (RMR).

A categoria reivindica reajuste salarial de 12,8%, mas os donos de empresas ofereceram apenas 4%, divididos em duas vezes. A paralisação de advertência deve prejudicar aproximadamente 1,7 milhão de usuários que circulam todos os dias em coletivos do Grande Recife. Os motoristas informaram que os trabalhadores que furarem o movimento serão retirados à força dos ônibus.

Uma nova reunião entre os dois sindicatos deve acontecer na próxima quarta-feira. Se não houver avanço nas negociações, os trabalhadores prometem parar por tempo indeterminado.

Assim que decidiram pela greve de advertência, vários cobradores e motoristas de ônibus saíram em passeata, por volta das 18h40. Eles andaram pela Avenida Agamenon Magalhães até a Praça do Derby, rumaram para a Conde da Boa Vista até a Avenida Guararapes, onde o movimento foi dispersado. Houve grande congestionamento. ”Nosso movimento é pacífico. Estamos fazendo essa passeata para avisar à população e aos motoristas que não haverá ônibus na sexta-feira (hoje). Sabemos que isso ocasiona transtorno, mas não podemos ficar com esse reajuste irrisório”, disse Patrício Magalhães, presidente do Sindicato dos Rodoviários.

Durante a caminhada, o clima ficou tenso no cruzamento da Conde da Boa Vista com a Rua do Hospício. Um motorista de ônibus tentou dar a volta e gerou revolta dos manifestantes, que, por pouco, também não entraram em conflito com batedores da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU).

As opiniões de usuários que enfrentaram o congestionamento se dividiam, mas a maioria criticava o movimento. “Todos têm direito de reivindicar, mas eles precisam saber que vão prejudicar muita gente. Moro em Candeias (Jaboatão), trabalho no Espinheiro. Todos os dias, utilizo quatro coletivos. Meu patrão não vai querer saber que não tem ônibus, mas infelizmente não vou trabalhar”, reclamou a assistente administrativa Azenate Gomes. “Se não tiveram o aumento desejado, eles devem reivindicar mesmo. É bom que não vou trabalhar. Fico descansando”, disse uma auxiliar de enfermagem, que não quis ser identificada.

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/06/20/not_287044.php

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Prefeitura foi alertada para risco de muro que matou idosa

A aposentada Severina Gonçalves de Andrade, 72 anos, proprietária da casa no Alto José Bonifácio, Zona Norte do Recife, cujo muro desabou, na manhã de segunda-feira, matando uma senhora de 66 anos, informou que a Prefeitura do Recife havia sido alertada para o perigo desde 2004. Para comprovar o que estava dizendo, a dona de casa mostrou um ofício em que um vereador da área, a pedido dela, requer intervenção urgente do poder municipal para recuperar o muro por existir grande risco de desabamento.

Severina conta que, depois do requerimento, equipes da Coordenadoria de Defesa Civil do Recife (Codecir) estiveram duas vezes no local e constataram rachaduras no muro de tijolo. “Não posso ser culpada de nada. Esse muro foi construído na gestão de Augusto Lucena (década de 70). Em 2004, sabendo do risco, nós fizemos o alerta. Os técnicos vieram aqui, disseram que realmente havia risco, mas a prefeitura não tomou providências. Era para derrubar e fazer outro.”

A dona de casa contou que havia chamado a atenção de Elizete Batista de Freitas, que morreu após o desabamento. “Ela estava morando na casa há pouco mais de um ano. Quando veio para cá, informei que o muro estava com problema e que a prefeitura estava sabendo. O grave é que nada foi feito e ocorreu essa tragédia.”

Na manhã de ontem, a área estava isolada. No entanto, vizinhos não respeitaram a determinação e reviraram escombros em busca de objetos. “Tem muita gente que quer roubar fio para vender”, disse um vizinho. Um dia após o acidente, moradores do Alto José Bonifácio estavam assustados. “A gente mora aqui porque é o jeito. Quando a chuva chega forte temos que rezar para não acontecer nada”, diz a dona de casa Maria Santana Lima, 42.

O garoto João Marcos da Silva, 10, neto da aposentada Elizete de Freitas, que sofreu traumatismo craniano no acidente, recebeu alta do Hospital da Restauração (HR). O corpo da aposentada foi sepultado, na tarde de ontem, no Cemitério de Casa Amarela, Zona Norte. Familiares da vítima não quiseram falar sobre o assunto e não autorizaram fotografias.

Na madrugada de ontem, a chuva intensa derrubou parte de uma casa na Avenida Chagas Ferreira, na Linha do Tiro, Zona Norte. O comerciante Josemar Vieira da Silva, 32, dono da casa, sofreu escoriações. No momento do desabamento, havia seis pessoas no local. “Tivemos muita sorte. Minha avó estava dormindo na sala, justamente onde ocorreu o acidente. Ela não sofreu nada”, contou.

Na tarde de ontem, Josemar informou que ligou várias vezes para a Codecir, mas, ninguém havia aparecido no local. “Pago meus impostos em dia e não recebo nenhum tipo de assistência. Ligamos muito para a Defesa Civil e nada.”

Na Várzea, a dona de casa Luzia Nascimento também reclamou da lentidão. Segunda-feira, uma pequena barreira deslizou em frente a sua casa. “Minha residência sofre risco. Ligamos para a Codecir, mas ninguém apareceu. Vou continuar aqui. Não tenho o que fazer”, avisou.

A Prefeitura da Cidade do Recife (PCR), por meio da assessoria de imprensa, comunicou que a Codecir esteve no local, no entanto, constatou que não havia risco iminente de desabamento do muro. A assessoria informou que a prefeitura lamenta a morte da aposentada. A família da vítima foi incluída no programa de auxílio-moradia. A PCR salientou que, desde 2001, investiu R$ 280 milhões em ações preventivas e educativas em morros.

ANTENA

A ventania de ontem causou acidente no Espinheiro, Zona Norte, às 12h. Um pedaço da antena de transmissão da Rádio Transamérica, na Rua Marquês de Paraná, caiu, atingindo o telhado da emissora. Ninguém se feriu. A rádio está fora do ar e só deve voltar ao normal hoje à noite.

Vizinhos reclamam que a antena está mal colocada. “Todos estão com medo de que isso vire”, disse a dona de casa Germana Barbosa, 58. A torre tem 77 metros. A peça que desabou ficava no topo.

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/06/18/not_286720.php

Recife possui 39 pontos de alagamentos

A cada inverno, o cenário é o mesmo. Os dramas e alagamentos se repetem. Para qualquer recifense conhecedor da cidade, é possível indicar, sem sair de casa, os locais que ficam repletos de água. A capital tem hoje 39 pontos de alagamentos considerados críticos, segundo levantamento da prefeitura. São lugares que enfrentaram, por anos e anos, a conseqüência da falta de infra-estrutura do sistema de drenagem.

Ruas e avenidas que se transformam em mar porque a água não tem para onde escoar. Quando existe drenagem, na maioria dos casos, as canaletas estão obstruídas. Pontos que até sofreram algum tipo de intervenção por parte do município, mas sem resultados positivos diante de precipitações pluviométricas intensas.

Exemplos não faltam na cidade. A Avenida Caxangá, na Zona Oeste, sob o viaduto da BR-101, tem problemas há mais de 20 anos. Com a chuva de anteontem, o local virou um mar, obrigando os carros a trafegar na faixa exclusiva de ônibus, também alagada. O vendedor Carlos Silva, 49, contabiliza prejuízos quando chove há pelo menos 11 anos. “Nunca foi feito nada por aqui. No máximo, desobstruem algumas canaletas e vão embora”, afirma.

Outro ponto histórico de alagamentos, o bairro de Jardim São Paulo, nas imediações da Avenida Recife, ficou tão alagado, anteontem, que para sair do bairro os motoristas trafegaram na contramão.

A intensa chuva de segunda-feira mostrou que os alagamentos da cidade são os mesmos de sempre e que as poucas intervenções feitas até agora não conseguiram resolver antigos problemas.

A Rua Conselheiro Portela, no Espinheiro, Zona Norte do Recife, é um exemplo. No ano passado, a prefeitura construiu um minirreservatório na Rua Santo Elias, transversal da Conselheiro Portela, mas não acabou com os alagamentos na área. “Criamos expectativa quando as obras foram concluídas, só que foi em vão. Com qualquer chuva tudo alaga do mesmo jeito e, no meu caso, o faturamento é zero. A única diferença é que agora a água escoa mais rápido”, critica Rafael Gomes, gerente de um posto instalado na esquina das duas vias.

O assessor executivo da Secretaria de Serviços Públicos do Recife, Antônio Valdo, afirma que o município investiu quase R$ 25 milhões em obras estruturadoras do sistema de drenagem, mas pondera que essas intervenções nunca serão suficientes conforme a intensidade das chuvas. “As precipitações de segunda-feira, assim como as do dia 31 de março, foram atípicas. E a eficiência de um sistema de drenagem está diretamente ligada à capacidade do curso da água”, explica.

Além dos transtornos, os alagamentos provocam o desgaste precoce do pavimento das ruas e avenidas, aumentando os buracos. Na Avenida Norte, em Santo Amaro, área central do Recife, uma seqüência de crateras tem assustado motoristas e provocado estragos nos veículos. A via encontra-se em obras, mas segundo moradores da área, há uma semana os buracos surgiram e, a cada chuva, aumentam mais.

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/06/18/not_286721.php

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Cesta básica sobe em maio em 14 das 16 capitais pesquisadas pelo Dieese. Recife brilha, com a mais alta

Foto: Guga Matos / JC Imagem

Em 14 das 16 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o preço da cesta básica teve alta no mês de maio.

Recife é a capital onde se registrou a maior alta, com 14,19% de aumento no preço dos produtos da cesta. Em seguida, vêm Natal (8,91%) e Florianópolis (7,61%).

Goiânia e Salvador foram as duas únicas cidades que apresentaram redução nos preços da cesta básica, com queda de 1,19% e 0,35% respectivamente.

De acordo com o Dieese, Porto Alegre tem a cesta básica mais cara do Brasil, vendida a R$ 236,58. Em segundo lugar vem São Paulo (R$ 233,92) e, em terceiro, Belo Horizonte (R$ 230,55). A capital mineira caiu duas posições no ranking das cidades com cesta básica mais cara; em abril, Belo Horizonte ocupava o primeiro lugar.

O Dieese encontrou em maio as cestas básicas mais baratas em Salvador (R$ 176,05), Aracaju (R$ 183,40) e João Pessoa (R$ 187,21). A diferença entre a cesta mais cara (Porto Alegre) e a mais barata (Salvador) é de R$ 60,53.

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Alimentos sobem 14% no Recife

Da Folha Online

O preço da cesta básica caiu apenas em duas das 16 capitais pesquisas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) mensalmente, segundo dados divulgados hoje na Pesquisa Nacional da Cesta Básica.

Apresentaram queda no preço dos gêneros alimentícios essenciais, em maio, Goiânia (recuo de 1,19%) e Salvador (baixa de 0,35%). Rio de Janeiro (0,31%) e Belo Horizonte (0,98%) tiveram altas moderadas, mas localidades como Recife (14,19%), Natal (8,91%) e Florianópolis (7,61%) registraram fortes elevações.

Com a variação de maio, o quadro das capitais nas quais foram verificados os maiores custos para a cesta básica mudou. O maior valor foi apurado em Porto Alegre (R$ 236,58), seguido por São Paulo (R$ 233,92) e e Belo Horizonte (R$ 230,55) --em abril, o maior custo foi da capital mineira. Na outra ponta, Salvador (R$ 176,05), Aracaju (R$ 183,40) e João Pessoa (R$ 187,21) registraram os menores valores. Com base no custo apurado para a cesta mais cara (Porto Alegre), e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deveria suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estima que o salário mínimo necessário passou a corresponder, em maio, a R$ 1.987,51, o que representa 4,79 vezes o piso em vigor (R$ 415).

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domingo, 1 de junho de 2008

Qual o futuro da beira-mar?

O pernambucano talvez não tenha se dado conta, mas o litoral do estado está encolhendo. Uma mostra da gravidade da situação foi apontada em um estudo recente divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe).

Houve perda de 25 metros de praia no litoral, em um período de 10 anos, avaliado entre 1985 e 1995. Uma média de 2,5 metros por ano. O dado é apenas um parâmetro do preocupante prognóstico para o futuro. A pergunta inevitável é como ficariam as nossas praias urbanas com uma perda de mais 25 metros de litoral? E a resposta é que elas simplesmente deixariam de existir e o mar chegaria onde hoje é a beira-mar.

Uma das razões para essa fragilidade é que a faixa de areia não edificada é ínfima. Para se ter uma idéia, os especialistas em geologia marinha apontam uma margem de segurança entre 50 e 60 metros de faixa de areia. Em Boa Viagem, essa margem não chega a 20 metros e na orla de Jaboatão, em alguns trechos, há menos de cinco metros de areia, ou nenhuma.

Para os especialistas, o destino da beira-mar de Pernambuco depende do que for feito, a partir de agora, para preservar o que resta de praia. "Nosso litoral está se afogando", alerta o professor e pioneiro em geologia marinha no estado Paulo Coutinho. Segundo ele, o litoral Pernambucano tem características próprias que por si já o fragilizam para enfrentar o mar, entre as quais a ausência de dunas, uma plataforma estreita e a presença de muitos estuários.

Ao lado, de baixo para a cima, o mesmo trecho da praia de Boa Viagem. Em 1989, com vegetação e areia, em 1995, após obra no calçadão e, finalmente, em 2008: apenas pedras.

Além de tudo isso, há ainda a ocupação desordenada e o aumento do nível do mar, que deixam o estado numa situação limite. "O ponto positivo é que temos os recifes que nos protegem, mas eles sozinhos não resolvem tudo. Onde houve ocupação irregular, o mar avançou", explica Coutinho.

Foi em 1994 que Boa Viagem acordou assustada com uma ressaca que destruiu parte do calçadão. A área afetada, na época , com cerca de 1,5 quilômetros de extensão, já se estende a 2,5 quilômetros. O enrocamento de pedras vem conseguindo preservar a área do calçadão, mas nesse trechoa praia não existe mais.

"Na época, o departamento de geologia da UFPE fez um estudo que previa além do enrocamento em pedras, também o engordamento da praia e um quebra-mar, mas somente o enrocamento foi feito até hoje. E já se passaram 14 anos", afirma Coutinho.

Quem conhece hoje o trecho engolido pelo mar, entre a Pracinha de Boa Viagem e o Castelinho, não imagina que no final da década de 80 havia uma grande faixa de areia e até vegetação, mas uma intervenção urbanística acabou por traçar o futuro da orla. "Com o Projeto Cura houve um alargamento do calçadão de Boa Viagem, ocupando a faixa de areia. Na época, já se orientava sobre os riscos ambientais, mas não levaram a sério e a natureza respondeu", revela o geólogo e professor da UFPE Valdir Manso.

Levar em conta o que a ciência diz e a partir daí tomar providências parece simples, e é, mas na prática isso não acontece. "Não se pode brincar com o mar. Uma vez iniciada uma obra ela tem que ir até o final e é exatamente o que nunca é feito. A única exceção nesses últimos 20 anos foi Brasília Teimosa, onde a praia foi recuperada numa intervenção de sucesso", detalha Manso.

http://www.pernambuco.com/diario/2008/06/01/urbana5_0.asp

Greve dos garis coloca contratos sob suspeição

Empresa responsável por 70% da coleta no Recife responde ações em outras cidades.

Paulo Rebêlo
Da equipe do Diario

O que leva o poder público a contratar e renovar a concessão de empresas que, Brasil afora, há anos respondem ações por improbidade administrativa, indícios de superfaturamento e investigações do Ministério Público e de Tribunais de Contas? A greve dos garis e a subsequente paralisação da coleta de lixo no Recife, durante toda a semana passada, acende a luz amarela para os contratos municipais com empresas do setor de limpeza urbana.

Pelos números oficiais, a Qualix Serviços Ambientais Ltda responde por 70% do serviço de limpeza - coleta do lixo, transporte, manuseio etc. - no Recife. A empresa é o pivô da crise que culminou com a paralisação dos garis, a partir de reivindicações por melhores salários e benefícios. Os outros 30% estão a cargo da Andrade Guedes. A Qualix, no entanto, já teve participação bem maior do que os atuais 70% nos anos que antecedem o processo de concorrência, efetuado em 2002, pela Empresa de Limpeza Urbana (Emlurb). Os contratos locais da Qualix, contudo, vêm de mais longe, desde o início da atual gestão municipal - quando a empresa ainda se chamava Enterpa.

Coincidência ou não, durante a semana da greve o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve, em votação unânime, a indisponibilidade dos bens da Qualix no Distrito Federal, a partir de uma ação por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público. As investigações por lá correm desde 1999 e apontam indícios de superfaturamento e outras ilicitudes envolvendo a gestão do então governador Joaquim Roriz com a Qualix e a empresa municipal de limpeza urbana. Em novembro de 2007, o deputado José Antônio Reguffe (PDT-DF) questionou na tribuna a renovação do contrato por mais seis meses, no valor de R$ 83 milhões, "de uma empresa que é alvo de sérias investigações do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Distrito Federal por causa de suspeita de irregularidades".

Em Cuiabá (MT), a Qualix começou a ser investigada por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada este ano, atingindo a gestão do atual prefeito Wilson Santos (PSDB) e do seu antecessor Roberto França, que esteve à frente do executivo entre 1997 e 2004. Em Cuiabá, a Qualix fatura oficialmente R$ 1,1 milhão por mês para o serviço. Um valor inferior ao do Recife, aliás.

Dentre outras locações Brasil afora, a Qualix também é responsável pela coleta de lixo em Porto Alegre (RS) e ganhou os holofotes naquele mesmo ano de 2004, em São Paulo, envolvendo o nome da então prefeita Marta Suplicy (PT). Na época, a polêmica ficou conhecida como a "máfia do lixo paulista" e atingiu outros nomes do partido. Ocorreu porque os consórcios que seriam declarados vencedores da licitação contavam com empresas investigadas pelo Ministério Público Estadual e figuravam entre as principais doadoras de campanha da prefeita. A Enterpa (hoje Qualix) dividia o bolo com a Vega, Cliba e Queiroz Galvão - e dominavam a maioria dos contratos de limpeza desde as gestões Paulo Maluf e Celso Pitta na capital paulista.

http://www.pernambuco.com/diario/2008/06/01/politica1_0.asp