segunda-feira, 28 de abril de 2008

Reportagem diz que Corredor Leste Oeste tem ônibus demais. Será? O corredor serve à cidade ou é o contrário?

Roberta Soares,
Caderno de Cidades / Jornal do Commercio

O Corredor Leste-Oeste, faixa prioritária ao transporte público ligando a Avenida Caxangá, na Zona Oeste, ao Centro do Recife, está sendo sufocado pelo excesso de coletivo. Eixo principal do projeto, a Avenida Conde da Boa Vista, com 1,67 quilômetro, não comporta a circulação diária de 730 veículos que operam 78 linhas – 29% do total da frota em operação na Região Metropolitana. É ônibus demais. O excesso tem tirado o sossego dos técnicos, reduzido benefícios aos passageiros e alimentado críticas da população, desacostumada a ver o carro abrir espaço para o transporte de massa.

Os efeitos se concentram à noite. E, principalmente, no trecho entre a Rua da Aurora e as Estações Gervásio Pires. Cálculos técnicos indicam que a Conde da Boa Vista deveria ser percorrida entre cinco e sete minutos. À noite os ônibus levam o triplo do tempo. Às vezes, até mais. O corredor completa 30 dias de operação terça-feira.

"A iniciativa é louvável, é um avanço para a cidade e deve ser copiada. Mas ajustes têm que ser feitos. Os coletivos não podem levar 20 minutos ou mais para percorrer a via. Na Caxangá, que já tem problemas, os 4,5 quilômetros entre o início do corredor, na Madalena, e a Avenida General Polidoro, na Cidade Universitária, são percorridos em 12 minutos", compara César Cavalcanti, vice-presidente da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP).

Por três dias, a reportagem acompanhou a operação no corredor, constatando os problemas. À noite, o entrave chega à Avenida Guararapes, fechando o cruzamento com a Rua do Sol. Terça-feira, foram necessários dez minutos para sair da Rua do Sol e percorrer 50 metros, até o fim da Ponte Duarte Coelho. Nesse dia, um coletivo da linha Várzea levou 22 minutos para percorrer a Conde da Boa Vista. Mais de 15 minutos foram gastos entre a Rua da Aurora e as paradas Gervásio Pires.

Outro coletivo, da linha Brejo, percorreu a avenida em 20 minutos, perdendo a maior parte do tempo no mesmo trecho. "Está muito ruim. Têm dias que eu levo esse tempo para passar da Gervásio Pires. Não há espaço para os ônibus", critica o agente administrativo Flávio Santos.

Pela manhã, o corredor é eficiente. Quarta-feira, às 8h, um ônibus da linha Jardim São Paulo levou 12 minutos para percorrer o Leste-Oeste em toda sua extensão, da Rua Benfica à Rua da Aurora. Antes, segundo os empresários do setor, o trecho era feito, no mínimo, em 25 minutos. "É evidente que há excesso de ônibus, mas tirar linhas não é tarefa fácil. Agora, ajustes podem resolver. Um deles é adotar veículos com portas largas que permitam a passagem de mais usuários", afirma o consultor de transporte, Germano Travassos.

PRIORIDADE

Defensor do projeto, ele sugere que a prioridade ao ônibus seja maior na Rua Benfica, onde os coletivos têm apenas uma faixa exclusiva. "Não se trata de perseguição ao carro, mas onde há disputa por espaço ele deve sofrer restrição. Quantos investimentos foram feitos no sistema viário para os carros em detrimento do transporte público?", questiona.


O que mais sobrecarrega o Leste-Oeste é a circulação indevida de linhas que não deveriam passar pela Conde da Boa Vista. O corredor deveria receber apenas as linhas que atendem a Zona Oeste do Grande Recife. As ligações da Zona Oeste representam 42% do total de linhas, dividindo espaço com as da Zona Norte (38%) e da Zona Sul (19%). O restante (1%) corresponde às que circulam pelo Centro do Recife.

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