Casos confirmados da forma clássica da doença cresceram 372% entre 2007 e 2008, segundo balanço divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde.Wagner Sarmento
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O número de casos confirmados de dengue cresceu 372% no Recife entre 2007 e 2008. Balanço divulgado, ontem, pela Secretaria Municipal de Saúde revelou que, do início de janeiro a 15 de outubro deste ano, foram comprovados 3.162 registros da doença, contra 670 no mesmo período do ano passado. As notificações sofreram aumento de 161%, passando de 3.233 para 8.453. O Ministério da Saúde (MS) alertou que os prognósticos para 2009 são ainda piores.
“O aumento se observou não só aqui, mas no Brasil todo. A cidade apresenta condições favoráveis para proliferação do mosquito. Os números só não foram maiores por causa das medidas que tomamos para frear o avanço da doença”, ponderou a secretária Tereza Campos.
Nos últimos meses, no entanto, os registros de pessoas acometidas por dengue têm caído. Em agosto, a PCR confirmou 36 casos. O número despencou para quatro em setembro. Até a semana passada, nenhum caso havia sido comprovado em outubro. A queda, porém, não permite comemorações, garantiu Tereza. “É natural essa tendência de redução. O aumento nos casos começa em janeiro e chega ao pico nos meses seguintes. No meio do ano, o índice cai”, explicou.
Segundo ela, os ovos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, duram até um ano e eclodem sobretudo no período do inverno, quando há maior alternância entre sol e chuva. “A gente não pode dar trégua ao mosquito. As ações precisam continuar. É preciso reforçar a importância da população nesse processo”, frisou.
A secretária municipal participou de duas reuniões recentes no MS para traçar estratégias de combate à dengue para o ano que vem. O Recife será uma das cidades contempladas com nova armadilha para capturar o mosquito adulto, chamada de mosquitrap. O ministério ainda vai definir quando os equipamentos chegarão à capital pernambucana e quais os bairros contemplados. Com 584 notificações este ano, a Várzea, Zona Oeste, lidera o ranking das localidades. Outro projeto federal a ser implementado no Recife é um novo teste que diagnostica a doença em 15 minutos e identifica o sorotipo em circulação.
“O cenário para o próximo ano é preocupante. Existem quatro tipos de vírus e um deles ainda não entrou no Brasil. Nada garante que ele não chegará. Temos que nos preparar. O cerco montado contra o mosquito tem que ser maior e o sistema de saúde precisa estar preparado para atender a população”, observou Tereza Campos.
A gerente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Adriana Regina Lucena, disse que Pernambuco vai receber, ainda este mês, R$ 7,4 milhões do MS. O Estado tem 38 municípios na lista de prioridades do programa nacional de combate à dengue. “Já estamos traçando as estratégias para 2009. O momento é ideal. O ministério revelou que existe o risco de uma epidemia de dengue do tipo 2. Aqui há uma suscetibilidade grande. Com a identificação precoce de focos da doença, fica mais fácil vencer o problema”, declarou.
A cada 15 dias, a PCR promove a troca de 2,5 mil ovitrampas, armadilhas para coletar ovos do mosquito, espalhadas pela cidade. No bairro da Várzea, os agentes de saúde ambiental visitaram 295 residências. Ninguém da família da dona de casa Maria José Feitosa, 73 anos, contraiu dengue até hoje.
Consciente da importância da prevenção, a moradora da UR-7, na Várzea, faz sua parte. “A cisterna vive fechada. Afinal, quem não tem medo dessa doença?”, indagou. Ação realizada na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) eliminou 43 focos e 56 depósitos de dengue.

